sexta-feira, 12 de março de 2010

História sobre Histórias (?)

Estava eu em casa ontem, sozinho, zapeando na televisão, quando meu primo, de 14 anos chega. Ela é um garoto um tanto quanto hiperativo, viciado em jogos de computador e ansioso ao extremo.
Já fui avisado de que não é bom deixá-lo jogando enquanto estiver em casa, então, para distraí-lo, continuei com a televisão ligada enquanto assistíamos Everybody Hates Chris, ou qualquer coisa que lembre isso. O seriado é divertido, até me arranca umas gargalhadas, e nós prosseguimos assistindo, rindo e conversando, até que o último episódio acabou e um jornal sensacionalista começou em seguida.

Eu tenho um ódio especial por jornais sensacionalistas.

Então, para não ter que ver desgraça dos outros, mudei de canal, voltando a zapear. A ansiedade do meu primo já estava num nível terrível, onde ele piscava muito e não parava de mexer a cabeça. Com certeza, ele tinha em mente que, a qualquer momento, eu ligaria o meu PC e jogaríamos
Max Payne 2 ou Tomb Raider Lengends, mas essa não er auma das minhas vontades. Continuei zapeando, até que achei um canal interessante, chamado NGT (não me lembro o que significa a sigla), canal 48 UHF, pelo menos aqui em São Paulo. E nele estava passando um anime chamado Evangelion, onde havia lutas de robôs enormes, os chamados mechas, e alunos numa escola com hormônios a flor da pele.

Eu deixei no canal. Estava achando interessante. Era o típico anime que fazia muito sucesso nos anos 80, o início dessa febre por todo o mundo, e a história parecia, de fato, interessante: era engraçada, tinha ação e entretia de verdade. Mas meu primo começou a coçar os olhos e a piscar mais do que nunca, e se revirava na cama de uma forma estranha, demonstrando mais do que ansiedade, quase um nervosismo. Aquilo estava me deixando irritado.

Foi então que ele se pronunciou:

- Você está gostando disso?

- Sim, estou sim. - respondi, humildemente.

- Mas como? Como você pode estar gostando disso?

- Estou gostando da história, oras. Fora que eu gosto do traço que o mangá tem, eu me divirto assistindo.

- Nossa... - Ele disse, esfregando mais uma vez os olhos. - Você assistindo isso quando se existe um monte de coisa melhor pra fazer? Cê é louco...

- O quê, por exemplo? - perguntei, embora já soubesse que a resposta seria algo relacionado à computador e jogos.

- Não sei. - Foi o que ele respondeu, mas eu sabia que sua mente dizia Você tem um computador mega potente que funciona uma pá de jogos e fica assistindo animes dos anos 80 e ainda diz que está gostando? Você só pode estar maluco!

Foi esse momento que me deu inspiração para escrever o post. O fato é que muita gente, principalmente gente da minha família, me acha estranho por conta dos hobbies que tenho. Ao invés de uma boa noitada, prefiro ficar em casa assistindo a um filme ou lendo a um bom livro. Quando viajo, sempre levo o livro que estou lendo. Meu salário, em boa parte, é gasta com coisas para ler, enfim, eu gosto muito de acompanhar histórias, e não há como mudar isso em mim. Se eu falei que estava gostando do anime naquele momento, é porque, de fato, eu estava gostando.

Mas existe gente que prefere uma boa diversão mais fácil, relacionada a jogos, internet ou pornografia. Acontece que eu prefiro coisas mais saudáveis, que não me prejudicam ou que podem me comprometer. Estou errado por causa disso? Se eu olhar no eu interior e ele me dizer que estou bem, não. Tendo essa resposta pra mim, o que importa o que os outros digam? De certo, nada. Sigo em frente e faço as coisas que gosto de fazer, me importando, primeiramente, comigo, pois se o que queremos é ser feliz, temos que ser egoístas e se importar apenas com o que pensamos. De resto, a gente empurra com a barriga, trabalhando sempre a nosso favor.

Não existe pessoa mais importante do que nós mesmos. Quer dizer, é isso o que eu penso...

Final da história, o Franklin, meu primo, me olha com uma cara estranha, me encarando com os olhos que não paravam de piscar, e diz pra mim:

- Se eu estivesse em casa agora, eu estaria assistindo Malhação.

Fiquei boquiaberto. Eu quis morrer. Malhação?


P.S.: Prometo que postarei mais a partir de agora, mas preciso de umas ajudas, também... Se quiserem...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Percy Jackson e o Ladrão de Raios


Pra quem lê esse blog, deve ter notado que eu não tenho um assunto certo para comentar. Simplesmente vivo uma situação e a redijo, a meu ver. Gosto de dar a minha opinião.

E na última sexta-feira, dia 12 de Fevereiro, eu assisti o filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios, baseado no não homônimo livro Percy Jackson e os Olimpianos: O Ladrão de Raios, de Rick Riordan, publicado no Brasil pela Intrínseca (sim, a mesma editora que publicou Crepúsculo e seus demais derivados), e o filme foi dirigido por Chris Columbus, famoso por dirigir Harry Potter e a Pedra Filosofal e A Câmara Secreta.

Comecemos a crítica.

O Chris Columbus é um excelente diretor, isso é inegável, e seu trabalho com Harry Potter resultou no sucesso que a saga Harry Potter é hoje e nos milhões que a nossa querida J K Rowling faturou com sua história. Ele é um diretor confiável, digamos assim.

Agora voltemos ao Percy Jackson.

O Ladrão de Raios é uma história que conta a rotina de um menino de 12 anos, chamado Percy Jackson (guardem bem essa informação), que, aparentemente, tem um déficit de atenção na escola e não consegue aprender a ler. Mais tarde, ele descobre que é filho de um deus grego, embora ele não saiba qual, e tem que ir para um acampamento, onde moram outros filhos de deuses gregos, para ser protegido, pois acreditam que ele tenha roubado o raio de Zeus, então muitas criaturas e deuses mitológicos estão em seu encalço querendo por tudo tirar-lhe o raio. Mas aí tem um problema: ele não está com o raio e tem absoluta certeza disso. Conclusão, sua vida vira de ponta cabeça.

Nesse acampamento, conhecido por acampamento meio-sangue, ele conhece Anabeth, filha de Atena, temperamento difícil, e descobre que seu amigo, Grover, é, na verdade, um sátiro. Juntos, os três vão em busca do verdadeiro ladrão de raios com o intuito de provar a Zeus que Percy Jackson não é, de fato, o ladrão de seu raio.

Com essa sinopse, a história tinha tudo para dar errado. E deu mesmo.

Li o livro e confesso que não gostei muito. A trama era rápida demais, muitos acontecimentos seguidos e sem ordem certa, enfim, não tinha um história em si, somente uma sucessão de cenas de ação sem relação nenhuma entre si. Outro defeito foi como Rick viu os deuses gregos na atualidade; no livro, Hades se mostra uma pessoa compreensiva e acalentadora... Não há como temê-lo. Ares é aquele vovozão inescrupuloso e cheio de marra e por assim segue. Enfim, o autor viajou.

A adaptação para o cinema tinha tudo para dar errado. Pelas fotos e trailers, fãs enlouquecidos queriam morrer quando viram que Percy teria 17 anos no filme ao invés do tradicional 12, Anabeth seria uma garota enorme e de cabelos castanhos, quando no livro era loura, e cenas de ação, que não estavam no livro, apareceram de forma assustadora sem nem ao menos terem sido avisadas. O caos reinava sobre os fãs do best-seller.

Mas lembrem-se: Chris Columbus é f#da!

Quando cheguei ao cinema, fui com todos esses pensamentos em mente: "A adaptação não foi fiel ao livro, o filme vai ser uma merda, um garoto de 17 anos nunca vai parecer um menino de 12", enfim, eu estava cheio de más expectativas.

Acabei me surpreendendo.

Com adolescentes no lugar de crianças, o filme ganhou um ritmo divertidíssimo, com cenas pra lá de engraçadas e atuações muito bem feitas! A história foi muito fiel ao livro, embora com 20% de alterações, e aquelas duas horas em que estive no cinema passaram voando! O olhar de Chris Columbus sobre as cenas do livro foi peculiar e sua adaptação se tornou um filme maravilhoso!

Saí do cinema boquiaberto e cheio de euforia. Eu não tinha palavras para descrever o que senti.

Agora, esse é um filme que indico para quem não sabe o que assistir. O filme é um entretenimento maravilhoso, sem sombra de dúvidas, e vai agradar muito a quem leu ou a quem não leu o livro. Lógico, muitos fãs vão ficar decepcionados, mas podem ter certeza que é porque não querem dar o braço a torcer.


Então, fica a dica!

Até mais!

P.S.: Eu não queria ser chato, então omiti o fato de eles terem escolhido um menino de 17 anos só pra que ele pudesse ser o gatinho da Capricho para o post não ficar chato... Mas vocês me etendem, né?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Coisas de Solteiro

Existe uma coisa que é pura verdade, mas que ninguém quer assumir: ser solteiro é a pior coisa que existe, pelo menos depois dos 16 anos, quando realmente começa a "vida", digamos assim. Mas afirmar isso não quer dizer, necessariamente, que queiramos arranjar um(a) namorado(a), é algo mais profundo, mais além. A real preocupação aí é o que as pessoas vão pensar de você, que são coisas mais ou menos assim:

  • "Nossa... Ele não pega ninguém..." - geralmente dito por amigos;
  • "Ah, esse menino precisa de uma mulher do lado dele, só assim ele toma jeito" - geralmente dito pela mãe e;
  • "Credo, ele é solteiro... Deve ser um chato do caramba. Ou deve ser gay." - geralmente dito pela sociedade.
Isso é terrível de ser ouvido, digo por experiência própria.

Mas o pior de tudo isso é o que um solteiro faz, que são coisas EXTREMAMENTE diferentes do que uma pessoa compromissada faz. Os exemplos são bem sutis, porém notáveis. Aí vão eles:

  • Assistir Big Brother Brasil;
Não existe coisa mais de solteiro do que assistir BBB. Acontece que os solteiros assistem esse programa porque gostam da trama, gostam de se imaginar no lugar e fazer suposições. O coração acelera em dia de paredão, votação, prova do líder, etc. Já quem namora está com a cabeça em outra coisa... Ou deveria dizer outra pessoa? Namorar já supre essa necessidade de ver gente confinada se relacionando, pois se acredita que a sua vida é mais importante do que a de 17 desconhecidos.

  • Assistir Crepúsculo e derivados;
Essa é a pior válvula de escape pra quem é solteiro, principalmente as solteiras... Meninas sem aliança no dedo assistem o filme e se deleitam com os protagonistas, se imaginando ao seus lados, dando bitoquinhas aqui, uma passada de mão ali... Enfim, isso é o que pouco podem chamar de frisson, mas que muitos podem chamar de FOGO. Pessoas compromissadas, que estão satisfeitas com seus relacionamentos, não perdem tempo acompanhando essas histórias.

  • Acompanhar histórias;
Pra que acompanhar histórias quando você pode se deleitar com a sua? Pessoas compromissadas não gostam de acompanhar histórias, pois as mesmas não lhe causam devido prazer. Sim, estou falando "daquele" prazer, coisa que até os mais santinhos gostam, e isso é inegável. Os solteiros gostam de acompanhar histórias porque viajam naquele mundo, imaginando se as situações que lê lhe ocorressem, enfim, é uma "brisa" que lhe satisfaz.

Existem mais MUITAS outras coisas que são de solteiro, como comer pipoca sozinho, se acabar no chocolate, reclamar e falar mal de quem está namorando, essas coisas e muito mais. Mas existe uma coisa que também precisa ser confessada além de tudo isso:

SER SOLTEIRO É TUDO!

Namore durante 3 anos, case por 5 e se separe. Você vai jurar pra si mesmo que nunca mais vai querer ver uma pessoa do sexo oposto na sua frente. Vai agradecer com júbilo que está solteiro, vai dizer que é a melhor coisa a ser feita e que não há vida melhor que a de um solteiro, e o pior de tudo é que você estará certo. Assistir BBB, Crepúsculo e acompanhar histórias vai ser mais prazeroso do que você pode imaginar, e você vai achar bom.

É por isso que existem coisas próprias pra solteiros, e próprias pra quem está namorando. Quem namora, se prende. E outro detalhe: Namoro =/= Liberdade.

Pense nisso e vá em frente.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Será que realmente nos preocupamos?

Em uma outra ideia, eu ia dizer que o brasileiro tem uma maneira peculiar de se preocupar com as coisas, mas, refletindo melhor, percebi que não só o brasileiro tem essa maneira peculiar de observar as coisas, mas sim o mundo todo. É um jeito tão maneiro de fazer isso que podemos suspeitar facilmente de que há alguma coisa errada aí. Vamos aos exemplos?

Haiti está sob escombros, disso todo mundo sabe. As pessoas pensam "Nossa, tanta gente morreu..." ou "Nossa, pobre daquelas pessoas..." ou "Por que a tecnologia não previu isso antes?" e a melhor: "Quantos mil morreram?", o que é bastante cruel. Você vê o quão as pessoas estão interessadas em ajudar só por essas frases.

Eis que, então, ligamos no noticiário, vemos aquele bando de gente negra cheia de cal e sujeira na cara, ouvimos notas realmente profundas nos dizendo o quanto que eles sofrem e voltamos a nos fazer as mesmas exclamações e interrogações acima. As imagens são tão chocantes que nos sentimos mal... Tem gente que até chora, outros rezam para seus deuses implorando ajuda para os enfermos, e até afirmamos sentir uma certa empatia por aqueles que estão lá sofrendo.

Mas essa empatia não é verdadeira, não...

Sentimos tristeza, empatia, mas é tudo momentâneo, pois assistimos a televisão para sentir a tristeza deles, sim, mas no conforto do nosso lar, onde sabemos que está dando tudo certo. É uma empatia... falsa. Temos certeza de que tudo vai dar tudo certo pra eles, mas não sabemos como, só torcemos pra isso.

E isso não é só quando se trata do Haiti...

Por que será que o Brasil Urgente tem uma audiência monstruosa quando tem enchentes? Porque queremos ver desgraça alheia! Queremos ver as pessoas escorregando na enchente, queremos ver pessoas chorando porque perderam a casa, só queremos ver tristeza. É horrível, mas é assim.

Então, nesses casos, muitas pessoas que lerem esse post se perguntarão: "Mas o que a gente pode fazer? Não há nada que a gente pode fazer...".

Aí eu te respondo...

Que tal mudar o "Nossa, tanta gente morreu..." ou o "Nossa, pobre daquelas pessoas..." ou o "Por que a tecnologia não previu isso antes?" e, a melhor de todas, "Quantos mil morreram?" por "Como eu posso ajudar?" ou "Em que número consigo informações pra doações?" ou "Qual é a conta para depósito de dinheiro?" ou, o que é melhor, "Do que esse pessoal está mais precisando?". Fazendo isso, você está tendo uma atitude muito mais HUMANA, muito mais correta.

Tente pensar na tristeza que eles estão sentindo, tente pensar no que você faria se estivesse no lugar. Com certeza você ia clamar por ajuda e ia esperar que as pessoas de fora te ajudassem mesmo. O que os haitianos estão sofrendo não é uma brincadeira que só dura aqueles cinco minutos de reportagem da globo, aquilo está durando DIAS INTERMINÁVEIS pra eles.

Vê se levanta a sua bunda pra fazer algo de uma vez por todas! Tenha vergonha de si próprio por ser tão... tão... Superficial!
Isso não foi feito por direção de arte, é real. Que pena, não é mesmo?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pessoas quietas = nerd?

Eu sei que já falei sobre um assunto parecido com esse antes, mas tenho que reforçá-lo, afinal, as pessoas parecem não dar importância. Acontece que, as vezes, o silêncio de alguém incomoda muito a pessoa que está do seu lado. É injusto, mas há um motivo pra isso. Aliás, não um motivo, mas uma série deles.

Saiu na Revista Super Interessante de não sei que mês, afinal, faz um tempo que li, que pessoas quietas e introvertidas são mais criativas, sabem lidar com certos tipos de situações sem enlouquecer e, apesar de ser paradoxal, se dão melhores pra falar em público do que uma pessoa mais extrovertida. Isso pareceu estranho, mas não estamos falando apenas de desenvoltura diante do público, e sim na formação de pensamentos que é nada mais, nada menos, do que resultado de muita reflexão.

Mas tem alguém que consegue fazer alguma reflexão enquanto fala sem parar?

Pois é... As pessoas mais comunicativas, geralmente, não são muito boas em diálogos, mas quando se trata de monólogos, a conversa flui... Não, espera aí! Como pode haver uma conversa, que seria, na verdade, uma troca de ideias, quando a pessoa fala em monólogo, ou seja, fala
sozinha?

Simplesmente não há conversa.

Não havendo essa troca de ideia, não se adquire conhecimento. A troca de falas é mais importante do que parece, pois se você tem uma ideia errada fixa na cabeça e não dá espaço para que os outros possam te corrigir, você vai continuar errado todo o sempre. E o pessoal vai rir da sua cara.

É por isso que eu concordo com a Marimoon quando ela diz que os Nerds vão dominar o mundo e que devemos ter inveja deles, pois são eles quem vão vencer na vida. Acontece que os chamados nerds são sempre capazes de ouvir os outros, são mais atenciosos, assim, adquirem mais conhecimentos, ampliam as suas ideias, se tornam pessoas melhores. Os argumentos ficam inteligentíssimos, não se perdem quando expõem uma ideia e vão longe.

É... devemos mesmo ter inveja dos Nerds. E das pessoas quietas também, que nem sempre são nerds.

Será que é um problema grave ser nerd?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Carros Felizes! ^.^

Os carros têm um poder sobre as pessoas maior do que o poder de locomoção. A partir de quando ele foi inventado, causou uma revolução muito maior do que ele pensa, e é uma revolução subliminar, que foi mudando as pessoas pouco a pouco sem que elas percebessem. Agora, o modo como as pessoas agem em relação à ele é aceito normalmente, sem hesitação alguma.

A primeira mudança radical foi a mudança de status. Quem tinha um carro, era uma pessoa maneira. Depois, as mulheres, que não conseguiam comprar seus carros, davam em cima daqueles que o tinham, criando, assim, o que chamamos hoje de Maria-Gasolina. Os interesses passaram a mudar; o amor não importava mais.

A partir daí, já temos duas mudanças drásticas: a criação da superioridade sob aqueles que não tinham carro e o súbito interesse das mulheres por quem o tinha.

Após isso, quem não tinha carro, queria ter. As vezes, o irmão de uma pessoa, que tinha um carro e poderia muito bem ou levá-lo aos lugares, ou emprestá-lo para que ele pudesse ir aos lugares, não o fazia. Muitas vezes, também, esse outro irmão não queria esse carro emprestado, pois era do seu irmão, e não seu. Havia, então, dois pensamentos diferente: aquele que tinha o carro queria sentir a posse sob aquilo que é seu e aquele que não tinha, mas tinha um familiar que tinha, não queria usá-lo, pois também queria sentir esse sentimento de posse, mas sob algo que fosse seu.

Até aqui, mais mudanças: por mulheres só se interessarem por quem tinha carro, os homens, mais e mais, queriam comprar os seus carros, e não utilizar carros alheios.

Com isso, o carro se tornou uma coisa popular. Hoje, você pode comprar um em mais de 80 parcelas, ou, se preferir, pagar a vida inteira. A velha geração sempre troca de carro, a nova geração sempre compra o seu novo carro, e um novo caos estava feito. Na verdade, o pior de todos eles: a falta de conscientização e o abarrotamento de carros.

A partir daí, não tem mais como consertar o erro.

É cultural, e não tem mais volta, crescer querendo um carro. Você trabalha, entra na faculdade e compra um carro. Você trabalha, ganha um dinheiro maneiro, e compra um carro. Você vai no Sílvio Santos, responde meia-dúzia de perguntas e ganha um carro. Ou seja, todo mundo quer um carro. E todo mundo está tendo um carro.

Conclusão de tudo isso, são SÓ 800 NOVOS CARROS POR DIA SÓ EM SÃO PAULO. A cada dia que passa a coisa vai ficando feia, e os problemas são simples:

  • POLUIÇÃO;
  • SUPER-LOTAÇÃO;
  • MAUS TRÁFEGOS INFERNAIS E;
  • UMA DESIGUALDADE SOCIAL TERRÍVEL!
Mas quem se importa com isso? Quem?

Só é necessário ter o seu próprio carro e ser feliz, é isso o que se deve pensar, não é?

NÃO!

Está faltando consciência por parte da população e não há mais como consertar isso quando comprar um carro faz parte da cultura brasileira. O estrago já foi feito, não há como voltar atrás.

E eles acreditam que o mundo vai acabar em 2012, mas será? Ano passado, quando eu vinha pro trabalho, eu demorava meia-hora pra chegar. Esse ano, estou demorando 50 min. Houve uma mudança aí, não houve? Será que 2010 aguenta?

Será que teremos salvação?

P.S.: O principal motivo que me deu inspiração para escrever o post foi essa foto que tirei no ônibus, hoje de manhã. O trânsito estava parado, e a rua estava cheia de carros. Essa foto eu tirei por volta de 08h30 da manhã, e é assim o dia inteiro aqui em São Paulo. Será que teremos salvação, eu pergunto mais uma vez.

P.P.S.: Eu não quero comprar um carro ^.^ Não gosto de andar de ônibus, mas ando, pois é preciso.

P.P.P.S.: Fora que se eu comprar um carro, vou ter que pintar meu cabelo de rosa. Uma pequena aposta que fiz com meus amigos...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Raiva

As pessoas dizem que a raiva é maléfica pra vida. Tem pessoas que até dizem que a raiva traz câncer. Então, qual seria a melhor solução pra resolver esse problemão que assola tanta gente que é o fato de sentir raiva?

Ok, muitos diriam assim "Ah, é só não sentir raiva dos outros, é só ser uma pessoa compreensiva" essas coisas bobas que só quem não tem motivo nenhum pra sentir raiva diria. Agora, prestem atenção, como é que você não vai sentir raiva quando a cidade inteira está em silêncio e só o seu vizinho, que é seu parente, por sinal, resolveu começar uma festinha as 00h01, ligando o celular numa rádio muito louca com a luz acesona na sua cara? Ah, ele está fumando narguilé, que muitos sem-cultura chamam, carinhosamente, de narguíly, e não está sozinho, está com a sua irmã. Altas aventuras, certo?

Levando em consideração que você tem que acordar cedo no próximo dia pra poder trabalhar, e que você não consegue dormir por causa do barulho que eles estão causando, o que é que você faz? "Você tem que ser compreensivo, não se pode causar problemas com vizinhos..." CHEGA! Esse papo de vizinhança feliz só funciona nos Estados Unidos, mas funciona muito mal, ainda por cima.

Com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, você vai ficar com raiva, não tem como... Só que, passado alguns minutos, a sua raiva se transforma em fúria, não mais uma raivinha simples. O que é que você tem que fazer? "Se você não gosta de festa, você tem que deixar os outros de divertirem com o que gostam..." NÃO! Você pensa, reflete, percebe que eles estão invadindo o seu espaço, por mais que as janelas e portas estejam fechadas, que eles conseguem ser impertinentes mesmo estando longe de você, e se lembra, também, que quando você dorme pouco, acorda mal humorado e trabalha muito mal... Reunindo tudo isso ao mesmo tempo, você vai ficar louco...

E vai começar a tremer... Mas não é de frio, é de rancor. Suas pernas vão tremer nervosamente, enlouquecidas, e você vai sentir as suas bochechas queimarem, mas você sabe que isso não é febre, e você pensa Puxa! Eles estão pisando em mim e eu não vou fazer... nada?

Isso já é o suficiente pra tomar coragem, abrir a janela da sua casa e dizer, delicadamente "Por favor, vocês podem, pelo menos, desligar o celular?". Pode ter certeza, depois de um minuto, e não estou exagerando, eles não vão só desligar o celular, como também a luz e a matraca. Vai dar tudo certo. E sabe o que é melhor, a sua raiva vai embora rapidinho, como se você tivesse tomado um banho de água fria. Você vai se sentir tão bem, tão feliz... Vai perder o sono, mas seu orgulho vai estar nas alturas. Isso sim vai te fazer bem.

Por isso, concluo que a raiva é algo ruim. Se você sente raiva, e sabe que isso só faz mal pra você, acabe com o motivo dessa raiva, mas faça isso por meio de palavras. Usar murros e pontapés só vai te fazer sentir mais raiva. A felicidade que vem depois dessa conquista é eletrizante, não tem igual. E mais, não deixem que pisem em você. Você é a pessoa mais importante, não adianta se martirizar e se achar incapaz quando você sabe que isso é mentira.

ACORDE!

E o principal: tenha argumentos pra defender o seu ponto de vista. Muitas pessoas podem confrontar quando você falar algo que não lhes convenha, mas você tem que se manter firme, usando todas as suas artimanhas para defender a sua visão. Argumente!

É assim que eu consigo viver até hoje.