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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Beleza (in)Comum

"Eu a observava atentamente. Ela não me olhava, então eu tinha toda liberdade para olhar qualquer parte de seu corpo que me conviesse. Nunca me senti tão livre a tal ato. E eu o fazia.

Era uma mulher comum, mas com algo sutil. Ela era comum, mas não era como as outras. Tinha a pele branca, algo comum, tinha os cabelos pretos presos num bico de papagaio, o que era comum, e estava séria, como todos ali, naquele lugar. Mas havia algo nela, algum detalhe, que fez com que ela me chamasse atenção. Naquele momento, eu resolvi que ia descobri-lo.

Seus olhos eram grandes, mas não enormes. Eram de um tamanho bom, bem situados em sua bela cabeça oval, e eram negros, a não ser pelo pequeno brilho provindo da janela que o fazia brilhar. Não era tão notável, mas era um detalhe. Estavam vidrados, olhando para algum ponto no cenário. Não se sabia ao certo que ponto era esse, talvez nem ela soubesse.

Baixei o olhar. Como todo homem, dei uma olhada em seu decote, que era discreto, mas nem por isso feio. Seus seios não eram grandes, eram comuns. Assim como toda a sua silhueta. A blusa os cobria levemente, sem se preocupar com nada.

Então ela desviou o olhar e olhou pra mim. Na verdade, não creio que estivesse mesmo olhando, talvez apenas tenha pousado seus olhos em mim. E franziu levemente a testa. Ela estava irritada, a partir daquele momento eu pude perceber, mas eu tinha certeza que o motivo de sua irritação não era eu. Não... Não era mesmo...

Gradativamente, seus olhos foram ganhando brilho. Não, eles não ficaram bonitos... Ficaram tristes. Sua testa, até então levemente franzida, franziu-se mais...

E uma lágrima escorrei pela sua face.

Meu coração doeu. Até então, aquela mulher de beleza única, embora comum, que eu tanto estava admirando, estava aparentemente feliz... A verdade é que não estava. Naquele momento eu consegui sentir a sua dor. Seja lá o que estivesse passando na mente daquela garota, estava deixando-a muito triste... Eu tinha que lhe falar algo, não podia deixar que essa oportunidade escapasse...

Nunca podemos deixar que uma pessoa triste continue triste. Isso é sofrimento...

Levantei-me do meu banco e fui em direção a ela, mas ela me fez hesitar. Levantou sua mão como em sinal de PARE, se virou revirando os olhos e limpou o rosto. Assim, foi embora, me deixando parado naquela esquina enquanto atravessava a rua.

Demorei muito tempo para tirá-la da minha mente. Digamos que a sua beleza não combinou com aquele seu olhar triste. Aquilo não fazia parte dela. Pelo menos durante uma semana eu pensei muito nela e queria muito que aquilo que estava machucando-a por dentro não a machucasse mais. E que não tivesse mais motivo nenhum que a levasse a ofuscar aquela grande beleza incomum."

Escrever

Hoje vou escrever sobre escrever, o que a gramática chama de Função Metalinguistica. Mas não vou escrever sobre o ato de escrever em si, mas sobre toda a aura que envolve esse ato.

Eu escrevo porque sinto vontade, isso é inquestionável. Escrever faz com que eu descarregue vários sentimentos bons, ou ruins, que eu possa estar carregando nas minhas costas. Desde raiva, tristeza, até alegria, criatividade, tudo é válido pra quem gosta de escrever.

Muitos ainda dizem que escrever é uma válvula de escape pra quem precisa desabafar. Talvez seja esse motivo que leva muitas pessoas a criarem seus blogs pessoais e divulgá-los, pois há mesmo essa necessidade de que outras pessoas leiam o que você pensa.

Você deve estar se perguntando "Tá, mas por que, então, você não fala isso cara a cara pra quem você conhece?" e eu te respondo: Você, que está lendo isso aqui, acha mesmo que gostaria se eu te falasse frente a frente todas essas palavras?

A resposta é não. É um saco, não tem graça. Por isso que existem diversos públicos que procuram diversos tipos de leitura, porque uma leitura não é pra todo mundo, é para um grupo seleto de pessoas. Aqueles que precisam ler o que estou escrevendo.

Mas existe uma hora em que escrever não ajuda em nada? Tem sim.

Sabe quando? Quando você percebe que tudo o que gosta está se indo, tudo está dando errado, nada do que você quer que aconteça acontece, quando você percebe que as pessoas que você gosta estão se distanciando... A inspiração se esvai quando nada dá certo, esse é o maior problema. É necessário que tudo dê certo pra que a sua escrita dê certo.

Talvez seja por esse motivo que, há muitos dias, eu não escrevo nada.